Araucária: a
regeneração do pinheiro brasileiro
Por Cilon Estivalet
A
Associação Ecológica Canela ‑ ASSECAN e o Departamento de
Recursos Naturais Renováveis ‑ DRNR ‑ da Secretaria da Agricultura,
principal orgão florestal do RS desde que foi instituído o Código
Florestal estadual ‑ Lei nº 9519/92 ‑, realizaram oficina, em Canela,
entre os dias 2 e 5 de junho/94, para debater a situação atual e
prognóstico sobre o estado atual das florestas com araucárias.
Participaram setenta pessoas ligados à pesquisa, ao manejo e à
fiscalização. A idéia geral foi demonstrar que a preservação dessa
importante espécie vegetal está associada a sua regeneração
ecológica e econômica.
Antecipamos algumas conclusões desse evento inédito no RS.
Existem 14 espécies de Araucárias, encontradas somente no hemisfério
sul. Na América Latina existem duas espécies: a Araucária
araucana, no sul do Chile e Argentina e a Araucária
angustifolia, no Planalto Meridional Brasileiro (200.000 km2)
(daí a denominação Pinheiro Brasileiro).
A região de Canela, onde ainda existem espécimens de Araucárias
gigantescas, pode ser considerada uma área de disperção da espécie.
Na proliferação da Araucária deve‑se considerar os fatores como o
clima, a competição com as latifoliadas e a intervenção humana.
O Rio Grande do Sul chegou a ter 25% das florestas com Araucárias,
enquanto que o Paraná representou 40%.
A exploração irracional ocorrida entre 1930 e 1970 levou quase a
extinção dessa riqueza natural. Praticamente, hoje somente é
encontrada nas áreas consideradas pela legislação como de
preservação permanente, que, no Estado, representam apenas 0,6% do
território. Isto faz com que as Florestas Mistas do Planalto das
araucárias sejam un dos conjuntos mais ameaçados do RS.
O potencial turístico da Floresta Viva do Planalto das Araucárias
ainda não foi descoberto. A ASSECAN pensa que não basta
apenas conservá‑la: é preciso lutar pela sua regeneração. Em Canela
deveria ter uma unidade de conservação municipal (parque ou estação
ecológica) voltada para essa finalidade. Se não ocorrer isso, em
breve, as atuais áreas de lazer perderão as suas características
naturais. Além disso, é preciso oferecer estímulos para quem
preserva o verde natural.
Entre outras, foram apresentadas as seguintes recomendações durante
a Oficina:
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- Avaliação genética das variedades da Araucárias angustifolia, (Bert.O.Kuntze).
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‑ Estabelecimento de programa para cultivo da floresta ombrófila mista com Araucária.
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‑ Desenvolvimento de pesquisas para estudos fitossociológicos das Florestas com Araucária no Estado do Rio Grande do Sul.
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‑ Desenvolvimento de estudos sobre o solo para cultivo de Araucária.
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‑ Fortalecer a Gestão dos parques nacionais e estaduais.
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‑ Promover campanhas de educação ambiental para a conservação das matas com Araucárias.
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‑ Evitar as queimadas de pastagens e extração de xaxim para a proteção das matinhas nebulares (transição entre a Mata Atlântica e a Mata de Araucária).
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‑ Aprimorar a fiscalização.
CONTATOS: ASSECAN, com Cilon Estivalet ‑ Caixa Postal 29 ‑ Canela, RS ‑ Fone (051) 223‑1830.
