AgirAzul 9
Pesca Liberada
Enquanto o Projeto do SISEPRA ‑ Sistema Estadual de Proteção
Ambiental ‑ gaúcho dorme nas gavetas da Assembléia Legislativa do RS
e são perdidos os acessos a linhas de crédito do exterior, nossos
diligentes parlamentares dedicam seu tempo a tarefas de
transcendental importância. Além de aprovar a pensão especial para a
destacada figura cultural Terezinha Morango, nossos deputados
aprovaram no último mês a Lei da Pesca e seu Regulamento. Segundo
ambos, pescar é retirar para fins comerciais ou de subsistência
qualquer coisa que faça da água seu “habitat” durante toda ou maior
parte do tempo (o que pode incluir algas, cetáceos e até surfistas e
pescadores); para pescar, pode ser utilizada uma rede de “50 metros
por pescador” sem limitação do número de pescadores, o que lhes
permitirá “fechar", como quiserem, a maioria dos arroios e pequenos
rios gaúchos com suas redes. A concessão de Licenças de Pesca fica
facultada às Federações de Pescadores. Belas regras para as cabras
zelarem pela horta.(ZS)
Campanha Defende Banhados
A União Protetora do Ambiente Natural ‑ UPAN firmou
convênio com a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, em 5 de
julho, com o objetivo de procederem, em conjunto, o levantamento e
caracterização dos banhados das Freiras e da Feitoria, em São
Leopoldo. O projeto pretende mostrar à comunidade local a
importância daqueles banhados, ameaçados por diversos tipos de
atividades predatórias, como aterros, desmatamentos, caça e pesca
ilegais. O projeto receberá a colaboração da Brigada Militar e dos
pesquisadores Renato Petry Leal (zoólogo), Atos Benvenutti (agrônomo),
Cláudio Becker (biólogo) e Walter Voss (ornitólogo),
do quadro de pesquisadores da Fundação. Renato Petry Leal foi
fundador da UPAN, em 1971 (com o nome de
AGAPAN São Leopoldo) e
depois exerceu funções em Brasília, no antigo IBDF.(JBSA/FZB)
$ Externo
Da Europa, vem a notícia de que a União Européia deixou de financiar
ajuda à América Latina, específica para meio ambiente, no montante
de 900 milhões de dólares, ao longo dos últimos anos. Motivo:
ausência de projetos e teimosia em buscar ajuda no BID, BIRD e
agências japonesas, embora estes financiem basicamente obras (não
gostando muito de estudos e projetos conceituais) e concedam
geralmente empréstimos (como o Pró‑Guaíba) em vez de doações. A
mesma fonte informa que existe ainda mais dinheiro, disponível e
abundante, para
financiamentos na área de alternativas energéticas
limpas.
Enquanto isso, um assessor
de importante parlamentar gaúcho afirmou, durante as
discussões sobre a até agora abortada tentativade votar o SISEPRA
gaúcho, que não houvera a
perda de um só centavo de dinheiro externo por força‑efeito
da ausência de um Sistema de Proteção Ambiental. A ele e outros
eventuais desavisados, aqui vai o argumento feijão‑com‑arroz: sem o
Sistema, não há uma Política Ambiental; sem esta, não há objetivos e
metas claras; sem estas, não há programas nas diversas áreas; e, sem
estes, não há projetos
específicos, encadeados organicamente no tempo e no espaço. O
Pró‑Guaíba, um balcão de projetos com predominância aos de
saneamento (que deveria ser uma obrigação do Poder Público sem
necessidade de recorrer a mais dívida externa), não é bem uma
exceção a essa indigência mental e financeira ‑ aliás, está
encalhado há mais de cinco anos.(ZS)
Estágio na ADFG
O porto‑riquenho David S. Figueroa‑Ortiz, estudante da Universidade
de Columbia, Nova Iorque, passou algumas semanas estagiando no
escritório da ADFG‑Amigos da Terra, em Porto Alegre.
Esteve no lançamento do AgirAzul,
nº 8. Deixou a cidade afirmando que teve: “...uma experiência
maravilhosa, conhecendo e aprendendo sobre o trabalho titânico que a
ADFG‑Amigos da Terra está fazendo no Brasil. Não
sou perito em nenhuma área ecológica, mas agora conheço bem os
problemas gerais. Espero fazer uma diferença na mentalidade dos meus
companheiros na Faculdade de Direito uma vez que eu volte aos
Estados Unidos; pelo menos os meus pensamentos e atitudes sobre a
ecologia foram mudados e sensibilizados graças a ADFG‑Amigos
da Terra”. (JBSA)
