AgirAzul Memória
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AgirAzul 9

Criado Santuário na Antártida

Japoneses e Gro Brundtland, derrotados, partem para a ignorância

Comissão Internacional da Baleia mantém proibição da caça e cria Santuário na Antártida

Por José Truda Palazzo Júnior,
presidente IWC/Brasil

A Reunião Anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB) de 1994,  realizada de 23 a 26 de maio em Puerto Vallarta, México, entrou para a História como o encontro diplomático mais devastador para os interesses escusos dos países baleeiros — hoje reduzidos aos ricaços Japão e Noruega — desde a aprovação, em 1982, da moratória mundial da matança de baleias. Participaram delegações oficiais de 32 nações. Na qualidade de observadores, 94 entidades não‑governamentais..

A Comissão decidiu este ano não apenas manter a proibição da matança, que os dois países supramencionados seguem violando, mas também criar pela votação esmagadora de 23 votos a 1 (Japão) e 6 abstenções, um SANTUÁRIO CIRCUNPOLAR ANTÁRTICO onde a caça permanecerá proibida definitivamene mesmo que a moratória da caça comercial seja eventualmente abolida pela CIB.

O Santuário, que abrange praticamente todo o Oceano Austral abaixo dos 40ºS, protege todas as áreas de alimentação importantes das grandes baleias no Hemisfério Sul e representa, na prática, a inviabilização da caça comercial em larga escala que o Japão pretendia retomar na Antártida.

Na ânsia de bloquear a aprovação do Santuário, que necessitava 3/4 de votos favoráveis, o Japão “comprou” ao longo dos últimos anos, com enormes somas de dinheiro para “auxílio ao desenvolvimento”, um bando de paisecos do Caribe — St. Lucia, St. Vincent, Dominica e Granada — que, com os votos do Japão e Noruega, seriam suficientes para derrubar a proposta. Só que a Noruega negociou sua abstenção na votação em troca da “tolerância” (não aplicação de sanções comerciais) dos Estados Unidos para com a sua própria caça criminosa.

E, modéstia a parte, foi a IWC ‑ Coalisão Internacional para a Vida Silvestre, quem neutralizou os votos dos mercenários caribenhos, sustentando entre 1993 e 1994 uma agressiva campanha nos Estados Unidos visando o boicote turístico desses países. Depois de fazer várias arengas em Plenário contra o “boicote imperialista”, os delegados dos paisecos pró‑Japão declararam a sua abstenção na votação, deixando os japoneses pendurados no pincel...e garantindo assim uma derrota acachapante para os assassinos das baleias.

Além de tudo isto, pela primeira vez em sua história, a CIB passou a dedicar um Grupo de Trabalho formal ao estudo de um uso não‑letal das baleias: o de whalewatching, que se dedicará permanentemente à discussão do turismo de observação de cetáceos, uma atividade econômica que já movimenta centenas de milhões de dólares em todo o planeta, excedendo em muito a pseudo‑importância da caça comercial de baleias.

Como de hábito, a máfia safada dos baleeiros, comandada pelo governo podre japonês e pela pseudo‑ambientalista Gro Brundtland, primeira‑ministra norueguesa, saíram das derrotas da reunião propalando uma imbecilidade: desta vez, estão alegando que as baleias “comem peixes demais” e precisam ter suas populações “controladas” para não comprometer a pesca a nível mundial, sem o que a humanidade será dizimada pela fome, por culpa dos cetáceos...é de lascar!

O Brasil teve novamente atuação destacada em defesa das baleias. A delegação chefiada por Mara Weston Góes, atual vice‑Cônsul do Brasil em Boston, EUA, apoiou firmemente o santuário antártico; defendeu a validade do whalewatching como alternativa benigna de uso sustentável das baleias; e colaborou de forma efetiva nas negociações atinentes às providências da CIB para a conservação de pequenos cetáceos. A nota dissonante desse sucesso, que deveu‑se a uma delegação de três diplomatas, ficou — pra variar — com o IBAMA e o pseudo‑Ministério do Meio Ambiente, que se recusaram a integrar a delegação por absoluta incompetência e ignorância das  “otoridades” de Brasília.

A defesa das baleias e dos ambientes marinhos como um todo faz parte da luta de entidades como a IWC e a PANGEA (mantenedora do AgirAzul) que, rejeitando a amoralidade e o comercialismo da ideologia do “desenvolvimento sustentável” promovido pela gangue da bruxa Brundtland, propõem em seu lugar a retomada da Ética Ecológica que embasou o próprio surgimento do movimento ambientalista e que reconhece valores e direitos intrínsecos aos demais seres vivos que conosco compartilham a Terra. E podemos todos nos alegrar com os resultados obtidos na CIB este ano com mais um passo nessa direção.

Morra Brundtland, vivam as baleias!