AgirAzul 9
ADFG‑Amigos da Terra e empresas privadas lutam juntas pelo Arroio
Dilúvio
Com o patrocínio do UNIBANCO Ecologia, a ADFG‑Amigos da Terra,
organização ambientalista não‑governamental, está viabilizando a
recuperação do Arroio Dilúvio, espécie de Tietê gaúcho onde são
jogados esgotos, lixo, e tudo o mais que não presta à civilização
industrial. O projeto envolve também a Prefeitura Municipal de Porto
Alegre e seus diversos órgãos executivos e a RBS ‑ Rede Brasil Sul
de Comunicações que monopoliza virtualmente as comunicações no sul
do país.
O
projeto é amplo e, por um ano, se propõe a, basicamente, despoluir o
Arroio que corta a cidade Porto Alegre de leste a oeste, desde as
suas nascentes junto à Represa da Hidráulica do Sabão até a sua
desembocadura no rio Guaíba. Para isto, serão comparadas análises de
água de diversos pontos do Arroio, promovida e iniciada
a educação ambiental junto à população visando evitar o
assoreamento e colocação de lixo junto ou próximo ao Arroio e seus
afluentes.
Primeiramente será desenvolvido uma campanha de conscientização
junto às áreas de maior freqüência de depósito de lixo, colocando‑se
containers especiais nos pontos estratégicos. Após uma fase de
esclarecimentos e advertência, procurará o projeto articular a
fiscalização intensiva, em horários diferentes com ênfase no período
noturno, em operações conjuntas do policiamento ostensivo — Brigada
Militar — e Ministério Público. Será viabilizado, também
um “disque
Dilúvio”, para a população em geral, especialmente os moradores da
avenida Ipiranga, poderem fazer denúncias de poluição.
Durante o primeiro ano, após a mobilização criada pela RBS, serão
realizados: levantamento fotográfico visando apontar os principais
problemas enfrentados; levantamento sócio‑econômico dos moradores
junto às margens dos arroios afluentes do Dilúvio; elaboração de
cartilha, folder, e cartaz; plantio de árvores nativas e vegetação a
fim de evitar assoreamento
e erosão; promover mutirões de limpeza junto às escolas e
moradores próximos.
O
QUE É O DILÚVIO
O
Arroio Dilúvio forma a principal bacia hidrográfica de Porto Alegre,
drenando uma área próxima a 80km2 e é um dos principais afluentes na
margem esquerda do rio Guaíba. Sua importância histórica tem sido o
escoamento das águas pluviais e, infelizmente, também cloacais.
Originalmente, servia de fonte de abastecimento de água para as
populações vizinhas e até de alimentação através da pesca. Com a
crescente urbanização no seu entorno, e devido aos inúmeros
problemas de enchentes, seu leito originalmente tortuoso foi
alterado através da sua retificação e canalização, realizada a
partir de 1940.
Atualmente, o arroio Dilúvio e seus formadores sofrem toda a sorte
de agressões, que vão desde a degradação da vegetação protetora de
suas nascentes, passando pelo acúmulo de lixo no leito e nas margens,
até o despejo de todo tipo de efluentes líquidos, cloacais e
industriais. Devido a esses problemas, seu leito encontra‑se
assoreado, provocando lentidão no escoamento da água e sofre
constante risco de transbordamento em dia de forte chuva.
A
ADFG‑Amigos da Terra avalia que a persistir esta situação, o
problema do saneamento do Rio Guaíba ficará agravado bem como o
desinteresse da população aumentará, mais inclinada a descrevê‑ lo
como “esgoto a céu aberto” do que como um curso d'água com origem na
Natureza.
COMITÊ DE GERENCIAMENTO E SEMINÁRIO
O
projeto, já atuando, prevê, a criação do Comitê de Gerenciamento, a
ser composto por todos os órgãos governamentais e não‑governamentais
diretamente afetos ao Arroio Dilúvio, e o desenvolvimento de uma
série de encontros periódicos com os
órgãos responsáveis, no sentido de troca de informações e de
pressão para solucionar‑se os problemas levantados.Por volta do
quarto mês dos trabalhos está prevista a realização de um
Seminário aberto convidando‑se os órgãos citados, comunidade
científica, ONGs e demais segmentos representativos da população
visando consolidar as ações e estratégias a serem perseguidas.
EQUIPE DE TRABALHO
A
presidente da ADFG‑Amigos da Terra, Magda Renner, dirige a
execução; Jorge André Fauth, agrônomo, coordena; Liz Kátia Fauth,
auxiliar‑técnica, Kátia Vasconcellos Monteiro, auxiliar
administrativa. O botânico João Larocca é responsável pelo
levantamento da flora e
já está redescobrindo algumas espécies que se tinha como perdidas.
(Texto de responsabilidade do editor, produzido a partir de
material fornecido pela ADFG‑Amigos da Terra)
