AgirAzul Memória
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ADFG‑Amigos da Terra e empresas privadas lutam juntas pelo Arroio Dilúvio

Com o patrocínio do UNIBANCO Ecologia, a ADFG‑Amigos da Terra, organização ambientalista não‑governamental, está viabilizando a recuperação do Arroio Dilúvio, espécie de Tietê gaúcho onde são jogados esgotos, lixo, e tudo o mais que não presta à civilização industrial. O projeto envolve também a Prefeitura Municipal de Porto Alegre e seus diversos órgãos executivos e a RBS ‑ Rede Brasil Sul de Comunicações que monopoliza virtualmente as comunicações no sul do país.

O projeto é amplo e, por um ano, se propõe a, basicamente, despoluir o Arroio que corta a cidade Porto Alegre de leste a oeste, desde as suas nascentes junto à Represa da Hidráulica do Sabão até a sua desembocadura no rio Guaíba. Para isto, serão comparadas análises de água de diversos pontos do Arroio, promovida e iniciada  a educação ambiental junto à população visando evitar o assoreamento e colocação de lixo junto ou próximo ao Arroio e seus afluentes.

Primeiramente será desenvolvido uma campanha de conscientização junto às áreas de maior freqüência de depósito de lixo, colocando‑se containers especiais nos pontos estratégicos. Após uma fase de esclarecimentos e advertência, procurará o projeto articular a fiscalização intensiva, em horários diferentes com ênfase no período noturno, em operações conjuntas do policiamento ostensivo — Brigada Militar — e Ministério Público. Será viabilizado, também  um  “disque Dilúvio”, para a população em geral, especialmente os moradores da avenida Ipiranga, poderem fazer denúncias de poluição.

Durante o primeiro ano, após a mobilização criada pela RBS, serão realizados: levantamento fotográfico visando apontar os principais problemas enfrentados; levantamento sócio‑econômico dos moradores junto às margens dos arroios afluentes do Dilúvio; elaboração de cartilha, folder, e cartaz; plantio de árvores nativas e vegetação a fim de evitar assoreamento  e erosão; promover mutirões de limpeza junto às escolas e moradores próximos.

O QUE É O DILÚVIO

O Arroio Dilúvio forma a principal bacia hidrográfica de Porto Alegre, drenando uma área próxima a 80km2 e é um dos principais afluentes na margem esquerda do rio Guaíba. Sua importância histórica tem sido o escoamento das águas pluviais e, infelizmente, também cloacais. Originalmente, servia de fonte de abastecimento de água para as populações vizinhas e até de alimentação através da pesca. Com a crescente urbanização no seu entorno, e devido aos inúmeros problemas de enchentes, seu leito originalmente tortuoso foi alterado através da sua retificação e canalização, realizada a partir de 1940.

Atualmente, o arroio Dilúvio e seus formadores sofrem toda a sorte de agressões, que vão desde a degradação da vegetação protetora de suas nascentes, passando pelo acúmulo de lixo no leito e nas margens, até o despejo de todo tipo de efluentes líquidos, cloacais e industriais. Devido a esses problemas, seu leito encontra‑se assoreado, provocando lentidão no escoamento da água e sofre constante risco de transbordamento em dia de forte chuva.

A ADFG‑Amigos da Terra avalia que a persistir esta situação, o problema do saneamento do Rio Guaíba ficará agravado bem como o desinteresse da população aumentará, mais inclinada a descrevê‑ lo como “esgoto a céu aberto” do que como um curso d'água com origem na Natureza.

COMITÊ DE GERENCIAMENTO E SEMINÁRIO

O projeto, já atuando, prevê, a criação do Comitê de Gerenciamento, a ser composto por todos os órgãos governamentais e não‑governamentais diretamente afetos ao Arroio Dilúvio, e o desenvolvimento de uma série de encontros periódicos com os  órgãos responsáveis, no sentido de troca de informações e de pressão para solucionar‑se os problemas levantados.Por volta do  quarto mês dos trabalhos está prevista a realização de um  Seminário aberto convidando‑se os órgãos citados, comunidade científica, ONGs e demais segmentos representativos da população visando consolidar as ações e estratégias a serem perseguidas.

EQUIPE DE TRABALHO

A presidente da ADFG‑Amigos da Terra, Magda Renner, dirige a execução; Jorge André Fauth, agrônomo, coordena; Liz Kátia Fauth, auxiliar‑técnica, Kátia Vasconcellos Monteiro, auxiliar administrativa. O botânico João Larocca é responsável pelo levantamento da flora  e já está redescobrindo algumas espécies que se tinha como perdidas. (Texto de responsabilidade do editor, produzido a partir de  material fornecido pela ADFG‑Amigos da Terra)