AgirAzul 8
Sambódromo é barbarismo cultural
Não, não se assustem. Ninguém é contra o samba e o carnaval. José Lutzenberger, presidente da Fundação Gaia, está se referindo ao projeto da Prefeitura de Porto Alegre que pretende construir um sambódromo, intitulado pelos próprios de "parque cultural", em área próxima ao parque da Harmonia, no centro da cidade. Para Lutzenberger, é um absurdo a localização da obra que altera completamente o perfil da cidade visto do Guaíba, que hoje é lindo (no Rio de Janeiro, diz ele, o sambódromo de lá não incomoda porque já está em bairro urbanisticamente degradado).
Para o presidente da Fundação Gaia não se pode impor modificações ao espaço utilizado pelos porto-alegrenses e, principalmente, para manifestações dos que cultuam as tradições gaúchas. "O sambódromo é uma coisa feia e asquerosa - mesmo deixando algum espaço para os gaúchos, um paredão-mostro ao lado altera todo o ambiente; é um barbarismo cultural", afirma. "Também o crescimento da área com iluminação tende a destruir toda a grande biodiversidade dos insetos noturnos e disso ninguém fala e parece que não é importante", constata José Antônio Lutzenberger.
Nesta edição do AgirAzul, mais informações sobre o sambódromo: "Projeto Municipal pode destruir áreas únicas em Porto Alegre", por Ney Gastal (pags. 9 e 10); "Parque Cultural: uma contribuição", por Oliveira Silveira (pág. 11) e "Quo Vadis, PT", por José Truda Palazzo Jr (pág. 12).
