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Luis Rios luta por Parque em Torres
O professor Luiz Rios de Moura Batista luta quase sozinho há anos pela recriação do Parque Estadual de Torres, RS, numa área de 871 ha, situada entre o Parque da Guarita, ao norte; o Morro de Itapeva, ao sul; o Oceano Atlântico, ao oeste; e a estrada estadual RS-786, a oeste.
A área já foi objeto de desapropriação pelo Governo do Estado na década de 1970, que desinteressou-se pelo mesmo devido ao alto valor a pagar, devolvendo-a aos seus proprietários.
Em 1991, o próprio professor Moura Batista, com equipe do Centro de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e FEPAM (agência ambiental do Governo do Estado) lançou um novo Projeto de Parque na área. Segundo o Projeto, a área representa o último reduto de ecossistemas característicos do litoral norte do RS, abrigando remanescentes da Mata Atlântica e espécies de flora e fauna ameaçados de extinção.
Recentemente, um jornal de Porto Alegre publicou matéria em que o Prefeito do município de Torres, Clóvis Webber Rodrigues, manifestou o desejo de aprovar o mais rapidamente possível um loteamento nesta região, que seria implantado tão logo a Câmara Municipal liberasse.
Torres é a praia mais tradicional e bonita do litoral gaúcho, apresentando nos últimos anos crescente número de grandes edifícios para veranistas com alto poder aquisitivo. A principal área urbanizada é limitada ao norte pelo rio Mampituba, que faz a fronteira com o Estado de Santa Catarina e, ao sul, pela área em questão.
Como esta área é pressionada por todos os lados e a tendência é a crescente ocupação imobiliária, urge que a sociedade civil se organize e apóie a iniciativa do professor.
O professor Luis Rios apresentou os estudos para a criação do Parque ao Prefeito anterior, César Cafrune, que alegou não ter recursos para a transformação do local em are de parque municipal.
Dentre os animais habitantes da área, encontram-se o mão-pelada, o graxaim-do-mato e a doninha, todos ameaçados de extinção.
Diz o estudo: “A beleza natural da região resulta da harmonia e contraste entre os diversos elementos da paisagem: o oceano, a areia clara contrastando com o verde da vegetação em seus vários aspectos desde as plantas psamófilas (típica das áreas arenosas) até as matas e butiazais, o colorido das flores e da folhas novas, as formas estranhas dos cactos e dos epífitos, o porte esbelto das palmeiras e por último os rochedos, emergindo da areia, cobertos às vezes de vegetação, são alguns dos múltiplos aspectos deste local único no Rio Grande do Sul”. (JBSA)
A equipe do Estudo foi composta pelo professor Luis Rios de Moura Batista, do Centro de Ecologia, mais a engenheira-florestal Sílvia Mara Pagel, geógrafa Maria Isabel Stumpf Chiappetti, e biólogas Parta Domingues Segalla e Lorétti Portofé de Mello, pela FEPAM, e o estudante de geografia Sérgio Mozart Ferreira. Leia mais sobre Litoral Norte nesta edição.
