AgirAzul 7
O português do AgirAzul - Alguns probleminhas da 6ª edição
por Betílio Romais
No AgirAzul nº 6, encontramos outros vocábulos que merecem correção:
1) (...) devem ter suas razões técnicas até *aonde inicia a questão política (capa). A linguagem culta moderna insiste em fazer diferença quanto ao emprego das palavras donde, aonde, onde. Na frase acima, apareceu *aonde. Aliás, o emprego incorreto desse advérbio é uma constante em nossa língua, principalmente em se falando dos políticos (já basta a transparência nas CPIs). O advérbio onde (em que lugar) indica o lugar em que se está, ou em que se passa algum fato. Deve-se usar aonde (a + onde) e donde (ou de onde), quando existe idéia de movimento procedente de algum ponto. Na prática, pode-se dizer que isso acontece, especialmente, com verbos ir e vir (outros como proceder, originar-se...) Exemplos: Onde estás?/não sei onde moras (está se referindo a lugar ou ponto fixo/estático). Mas, havendo idéia de movimento = ir a algum lugar ou vir de (partir de algum ponto), temos: Aonde vais?/donde veio?/donde se originou esse fato? A frase corrigida fica, então, assim: "(...) devem ter suas razões técnicos acatadas até onde inicia a questão política". A propósito, se alguém perguntar pelo telefone daonde fala?, responda donde ou de onde?, porque o que se quer é partir de um ponto e não vir a ele. Daí o papo vai ser outro...
2) Insetos polinizadores, abelhas, arapuãs, mamangavas,
borboletas, quando sobrevivem diretamente ao fogo, podem vir e
parecer pouco após por falta de recursos de néctar e *pólem (pág.
10). O curioso é que *pólem (como está no texto) é variante de
pólen. Só que um tem acento, e outro não. Quer dizer: quando é
variante - não; quando não é - sim! Por quê? É o seguinte: a palavra
polem (variante) termina em -m e por essa razão não se encaixa na
regra das paroxítonas, enquanto que a terminação em -n (pólen) deve
receber acento, conforme regra expressa (lembram? liga nacional do
raio xis). Assim também hífen, abdômen, glúten... Mas o interessante
é que o n pode ser seguido de s (ns), ou seja, plural. Daí tudo fica
sem acento. Veja: polens, hifens, abdomens, glutens... resumindo:
paroxítonas terminadas em -em (homem, jovem, polem) ou -ens (plural)
sem acento, mas -en (singular) com acento. logo: o m de
Maria-vai-com-as-outras sem acento, porque sempre perambulando...
Contudo o n de nada-adianta, com acento, porque sempre deitado em
berço esplêndido.
* O autor é professor de português na ULBRA
