AgirAzul 6
Pecuaristas ainda usam fogo – O Rio Grande queima
Quem mora em cidades e pensa que o problema de queimadas limita-se à Amazônia, está redondamente enganado. No Rio Grande do Sul, nos meses de julho/agosto/setembro, principalmente, pratica-se a queima de campo como técnica de manejo de pastagens.
Foi lançada em julho de 1993 a Campanha Contra as Queimadas, um conjunto de atividades desenvolvidas pela ADFG–Amigos da Terra e pela ASSECAN – Associação Ecológica Canela que visa acabar com as queimadas em campos no Estado do Rio Grande do Sul.
A campanha conta com o apoio da Brigada Militar, do Ministério Público e das entidades filiadas à APEDEMA - Assembléia Permanente das Entidades de Defesa do Meio Ambiente do RS, na sua divulgação. A Campanha Contra Queimadas visa conscientizar sobre os efeitos negativos das queimas em todo o Estado, sendo que a área prioritária de ação é a região dos Campos de Cima da Serra.
Embora utilizadas como prática comum entre agricultores e pecuaristas, as queimadas são um grave problema ambiental no Estado, A falta de esclarecimento quanto a proibição de sua utilização e de uma fiscalização efetiva, aliadas às técnicas rudimentares de manejo dos recursos naturais, vêm permitindo que tal prática seja utilizada de forma indiscriminada, trazendo prejuízos não apenas ambientais mas também de produtividade.
Dentre os malefícios causados pela utilização das queimadas em relação ao solo pode-se citar alguns, como a destruição da camada fértil e dos microorganismos que ajudam a recompor sua fertilidade, a erosão, a compactação com conseqüente perda de capacidade de absorção da água e por fim a desertificação, hoje comum em alguns pontos do nosso Estado. Em relação à fauna nativa, a destruição pelo fogo de seus habitats pela utilização das queimadas tem sido apontada como a maior responsável pelo desaparecimento de grande número de espécies e colocação de outro grande número em vias de extinção, principalmente pela fragilidade dos ecossistemas que compõem a paisagem das regiões abrangidas pelo projeto. O mesmo pode-se dizer em relação à flora nativa, exposta aos incêndios ocasionados por queimadas descontroladas. Além disso, a ciência aponta as queimadas como grande gerador de gases de efeito estufa.
Até o momento, nenhuma
grande campanha foi realizada visando mostrar essa triste realidade
e ampliar a cultura de agricultores e pecuaristas numa proposição de
alternativas racionais de uso de seus recursos naturais. As
iniciativas a nível nacional restringem-se a alguns poucos cartazes
e são direcionadas para a Amazônia.
A
Campanha teve o seu lançamento em campo oficial no dia 31 de agosto,
em Canela: a população foi alertada para os malefícios da queimada
através de folhetos inicialmente multiplicados pela Comissão de
Saúde e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa e, a partir de 20 e
agosto, doados pela Companhia de Energia Elétrica do Estado.
Numa segunda etapa foi realizada, por iniciativa da ADFG-Amigos da Terra, uma fiscalização na área prioritária que contou com duas equipes da Brigada Militar e de seu motoplanador para atividades de apoio. As atividades de fiscalização foram realizadas de 19 a 22 de agosto e tiveram a coordenação de Káthia Vasconcellos Monteiro e Helena Leister, da ADFG-AT.
Nesta
primeira atividade foram autuados mais de 20 proprietários que
tocaram fogo em seus campos, sendo vários deles dentro das áreas do
Parque Nacional dos Aparados da Serra e da Serra Geral. Não foram
multados. Apenas foram expedidos autos de constatação de degradação
ambiental que deverão dar início a processo administrativo, civil ou
penal através do Ministério Público do Estado.
No dia 10 de setembro a Comissão de Saúde e Meio Ambiente e a Comissão de Agricultura realizaram uma reunião em Cambará do Sul para a apresentação de alternativas de manejo àquela comunidade. Na ocasião estiveram presentes dois prefeitos e seis vice-prefeitos da região além de vereadores, sindicatos rurais e pecuaristas além da representante da ADFG-Amigos da Terra, Káthia Monteiro.
O agrônomo Darci Bergmann – da Associação Sãoborjense de Proteção ao Ambiente Natural – ASPAN – diz que em São Borja um proprietário faz a “roçada” nas suas terras dobrando o número de cabeças de gado, na mesma área, em quatro anos.
A ASSECAN e a ADFG-Amigos da Terra estão preparando atividades pensando já no próximo ano.
Interessados no material de divulgação da Campanha devem entrar em contato com a APEDEMA/RS. Outras entidades como a PANGEA – Associação Ambientalista Internacional (Porto Alegre) e a UPPAN – União Pedritense de Proteção ao Ambiente Natural (Dom Pedrito) já se integraram na campanha.
Texto da Redação do AgirAzul (JBSA)
Incêndios em Porto Alegre, Viamão,
Cachoeirinha e Gravataí – 1992
(atendidos pelo 1º
Grupamento de Incêndio da Brigada Militar)
|
Fogo em |
Jan |
Fev |
Mar |
Abr |
Mai |
Jun |
Jul |
Ago |
Set |
Out |
Nov |
Dez |
Total |
|
Mato |
147 |
16 |
26 |
6 |
12 |
6 |
8 |
40 |
25 |
44 |
98 |
167 |
595 |
|
Terreno
baldio |
2 |
1 |
0 |
6 |
1 |
1 |
0 |
0 |
4 |
0 |
1 |
17 |
17 |
|
Serragens |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
1 |
0 |
1 |
1 |
|
Total |
149 |
17 |
26 |
12 |
13 |
7 |
8 |
40 |
29 |
45 |
99 |
168 |
613 |
