AgirAzul 6
Comentário: biodiversidade – da ecologia à etnobiologia
Por Hilda Zimmermann*
“A sociedade ainda não percebeu que biodiversidade abrange todos os aspectos da vida (humana)” Russel Mittermeier
Após um grande desenvolvimento tecnológico durante as décadas de 50, 60 e 70, grande parte da população ocidental, principalmente a composta pelos “homens brancos” sai dos campos, da zona rural e parte às grandes cidades. Afasta-se dos demais elementos da natureza e deles se isola nos grandes centros urbanos.
No início dos anos 70 esse mesmo representante da espécie humana começa a reaprender a sentir-se bem junto à natureza. Começa a buscar um novo relacionamento com o meio ambiente envolvente. E a essa relação entre o homem e os demais elementos que compõe seu meio ambiente se dá o nome de: ECOLOGIA.
Nos anos 80, pela pesquisa e pelo interesse, esse homem aumentou seus conhecimentos quanto a esse meio ambiente. Viu que dele fazia parte um grande número de espécies de animais, plantas, árvores, rios, oceanos... e que todas elas tinham grande importância na relação entre si e delas para com o ser humano. Percebeu que ao seu redor outras etnias, como a asiática, a negra e a indígena se mostravam mais fortes, conscientes e principalmente, detinham maiores conhecimentos sobre essa diversidade de espécies vivas.
Era a BIODIVERSIDADE.
Com essas etnias se impunham cada vez mais com mais força, possuindo maior e melhor conhecimento sobre essas espécies, tinham, portanto, muito a transmitir aos ocidentalmente civilizados. E é à busca desse conhecimento, à valorização do saber empírico das etnias nativas, principalmente dos índios, é que chamamos de ETNOBIOLOGIA.
E é nessa nova ciência,
que para esses povos já é milenar, que a humanidade poderá encontrar
a resposta para muitas de suas perguntas, de seus problemas. Depende
ela – a humanidade – do saber, da intuição e do conhecimento dos
povos autóctones para que possa continuar a caminhada ao verdadeiro
ecodesenvolvimento.
* Hilda Zimmermann é membro da União pela Vida
