O Português do AgirAzul
Por
Bertílio Romais*
O
AgirAzul ‑ Boletim Ambientalista nº 4, merece reparos quanto
ao bom uso da Língua Portuguesa. Destaco, entre outros, os seguintes
(os três primeiros casos ocorrem no texto Barragem do Gravataí,
na capa):
1. “Daqui há dois anos (...)”
2. "Daqui há pouco (...)"
É evidente que a pronúncia do
a não pode ser escrito com agá. Deve ser um
a simples. Vejam que o problema do Português já começa com as
primeiras letras do alfabeto.
A pronúncia do
a pode ter
três
grafias: I) a = preposição II) à =
a(prep.) + a(art.), e III) há com o sentido de faz
(indicando tempo já decorrido). Então a, à, há
têm a mesma pronúncia, mas empregos e sentidos diferentes.
3. “Alguns fazendeiros tem interesse (...)”.
O
verbo tem aí precisa de chapéu, assim: têm. Porque o
sujeito é plural. O sujeito no plural ou sujeito composto exige
sempre verbo no plural. A dupla ter/vir (tem/vem), ora é sem
acento (quando o sujeito é singular), ora é com acento (quando o
sujeito é plural).
4. “A desativação de uma usina nuclear é mais caro do que sua
construção” (pág. 21).
É
título de texto onde a palavra
em negrito está mal flexionada. Corrigindo, ficaria assim: A
desativação de uma usina nuclear é mais cara que sua
construção. A palavra caro pode estar, ora na função de
adjetivo (flexionando‑se, como é o caso acima), ora na função de
advérbio (sem flexão).
