AgirAzul 5
Perigo a vista: querem piorar a Lei dos Agrotóxicos
Por Jorge André Fauth (via Alternex)*
Acabamos de participar da montagem de mais um circo patrocinado
pela indústria dos agrotóxicos.
Utilizando como palco a Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul,
foi desenvolvido um Congresso Estadual para discussão e elaboração
da nova lei estadual de agrotóxicos do estado. Estrategicamente,
foram enviados para as associações de Engº Agrº informações de como
seriam desenvolvidos os trabalhos, através das divisões por grupos.
Assim, os representantes das indústrias químicas, escolhendo
previamente seus grupos de trabalho, encaminhariam para discussão
suas propostas já elaboradas. Estranhamente, as entidades
ambientalistas não receberam estas informações, mas somente o
convite para apresentar o seu posicionamento frente ao problema dos
agrotóxicos. Existe na Assembléia Legislativa do Estado uma minuta
de lei do deputado estadual Pompeu de Mattos, cuja discussão tem se
arrastado durante todo o ano de 1992, onde toda a sociedade
organizada vem participando.
Somente a SARGS nunca compareceu a estas reuniões, alegando que nunca recebeu convite para tal. O que se pode verificar neste “pseudo congresso” foi uma farsa jamais vista, o que vem mostrar cada vez mais o desespero das multinacionais dos agrotóxicos em tentar fazer reverter o quadro para o qual estão caminhando, usando como fachada a classe agronômica para pressionar posteriormente a Assembléia Legislativa do Estado quando o projeto de lei for colocado novamente em votação.
Que documento poderseia esperar de uma reunião onde na sua quase totalidade faziam parte Engº Agrº funcionários das multinacionais de venenos? Resta agora aguardar os anais desse congresso para que se possa analisar as novas proposições que a indústria química tem para a futura legislação estadual de agrotóxicos. Os deputados na Assembléia estão sendo alertados para o assunto.
* O autor é EngenheiroAgrônomo e, à época do artigo, membro da FOEBR ADFG Amigos da Terra Brasil.
