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Reflexões

Desenvolvimento Humano 1994

Por Magda Renner*

Em seu relatório sobre “Desenvolvimento Humano 1994”, preparatório para os 50 ANOS das Nações Unidas, (segundo Revista World Watch, set/out, 1994 (o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) relata os avanços conseguidos nessas quase 5 décadas em várias áreas da vida humana e adverte para os desafios a serem enfrentados hoje.

Ressalta que houve uma melhoria significativa no que se refere à alimentação, aumentou a longevidade, diminuiu o analfabetismo. O mundo hoje está menos ameaçado pelo holocausto nuclear, maior número de países insistiu em regimes democráticos, diminuiu o número dos absolutamente pobres.  No entanto, o fosso entre pobres e ricos alargou-se assustadoramente. Em 1960, os 20% da população global mais rica ganhava 30 vezes mais do que os 20% da população mais pobre. Essa diferença, nos trinta anos seguintes, dobrou.

Não obstante o fim da Guerra Fria, o comércio de armas está em franco crescimento e os gastos militares, em 92, atingiram a cifra de 815 bilhões de dólares, equivalente à renda de 49% da população humana.

Em 1992, os países industrializados enviaram aos mais pobres (através do Banco Mundial) 60 milhões de dólares e receberam, nesse mesmo ano, desses mesmos países, 160 milhões em pagamentos dos serviços da dívida.

Segundo a Revista “Time”, 25/07/94, nos últimos 4 anos, o Brasil pagou ao Banco Mundial 5,3 bilhões de dólares a mais do que recebeu.  Continua pois, o fluxo de dinheiro do IIIº mundo para o Iº mundo.

Em suas conclusões o PNUD adverte que as maiores ameaças à segurança na era Após-Guerra Fria não está nos conflitos entre nações, mas sim nos conflitos nacionais internos, gerados pelas disparidades e privações sócio/econômicas.

A advertência vale, não só para a Argentina e o México (haja vista os levantes armados organizados já acontecidos) mas também para o Brasil, onde a concentração da renda “divide tão desigualmente o consumo, a educação, a saúde, a alimentação e a esperança de vida, que é possível dizer que a nacionalidade entrou em ruptura” (Cristovam Buarque em a “Revolução das Prioridades”, 1993), ameaçando a segurança de todos.

* Magda Renner é presidente da ADFG-Amigos da Terra – Rua Cabral, 151/02 – 90420-120 Porto Alegre, RS. Fone/Fax (051) 332-8884, Correio eletrônico (Alternex): foebr@ax.apc.org .