Movimento Ecológico Gaúcho investe em
estrutura
Por Henrich Frank*
Uma vitória do bom senso. Assim se
pode definir a fundação da Assembléia Permanente de Entidades de
Defesa do Meio Ambiente do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do
Sul, APEDEMA/RS, em 8 de dezembro de 1990, em Novo Hamburgo, por
apenas oito entidades.
O Movimento Ecológico Gaúcho
encontrava‑se dispersado, desinformado, dividido por causa da
questão da caça amadora e absorvendo com dificuldade a nomeação de
José Lutzenberger para Secretário Nacional de Meio Ambiente. O que
complicava ainda mais a criação de uma entidade federativa foi a
frustrada tentativa do Conselho Estadual de Entidades Ecológicas
do RS ‑ CONEERSGS ‑ anos atrás, abortada pela União
Protetora do Ambiente Natural, UPAN, na pessoa de Carlos
Aveline. Um Norte tinha que ser achado, uma direção, uma orientação,
enfim, algo que tornasse as entidades coesas para enfrentar seus
inimigos. Do jeito que estavam, dispersas, desorientadas, elas eram
presas fáceis das forças que se opõem ao movimento ambientalista,
situação que pode ser ilustrada com a história das varetas narrada
na Bíblia.
Desde então, muito foi feito: a
ADFG‑Amigos da Terra cedeu uma sala para sede e esta sala foi
reformada desde então e equipada. Uma secretária, a Káthia, foi
contratada e está trabalhando desde então, paga com as contribuições
dos sócios da APEDEMA/RS. Equipamentos de escritório, pelo
menos os essenciais, foram adquiridos. Da ZERO HORA recebeu‑se uma
máquina de escrever manual usada. Foram realizadas várias viagens ao
interior, conferindo endereços, contactando entidades e descobrindo
novas. Vários projetos foram lançados, abordando um sem‑número de
assuntos. Reuniões foram acompanhadas onde foi necessário. Um
projeto foi enviado ao Exterior para dinamizar o trabalho. Já foi
aprovado e vai possibilitar a retomada das viagens às entidades do
Interior. Outro projeto, mais ambicioso, está sendo elaborado.
Estas realizações foram outra vitória.
É um fato inédito no Rio Grande do Sul a permanência de uma entidade
federativa por mais de quinze meses, sempre em atividade. É claro
que há problemas de caixa; é claro que foi menos do que se queria,
mas se avançou muito a partir da estaca zero em que se estava. As
perspectivas a médio prazo são muito boas, e o quadro de sócios já
aumentou de 8 para 15 entidades espalhadas por todo o Estado.
A APEDEMA/RS não se dedicou à
conquista de espaços políticos às ONGs gaúchas porque entende que de
nada adianta esta conquista se as entidades, individualmente, estão
tão fracas e desorganizadas que não têm as mínimas condições de
ocupar este espaço. Portanto, o fortalecimento das entidades é
conditio sine qua non para o progressivo trabalho em conjunto,
desenvolvendo, médio e longo prazo, atitudes políticas de peso com
chances concretas de vitória. Por enquanto, um intenso trabalho de
repasse de informações é o maior trabalho da APEDEMA/RS,
capacitando as entidades a opinar em assuntos dos mais variados.
* O autor é presidente da Associação Canoense de
Proteção ao Ambiente Natural ‑ ASCAPAN
e faz parte da Coordenação
da APEDEMA.
A APEDEMA, à época do artigo
(1992) funcionava na rua Miguel Tostes, 694, em Porto Alegre, junto
à sede da ADFG‑AMIGOS DA TERRA.
Telefone: (051) 332‑8884.
